quarta-feira, 6 de abril de 2011

SAIBA DIZER "NÃO"




Bondade demais pode esconder problemas de autoestima!


HELOÍSA NORONHA


Você não precisa ser um anjo para ser uma boa pessoa. Dizer não também é necessário Estar sempre disponível, ser muito solícito e conhecido como bonzinho pode ser ótimo para os beneficiados de tanta generosidade, mas e para si mesmo? Esse comportamento pode esconder o medo intenso de desagradar o outro. "É do desejo de contentar todo mundo que nascem as decepções com a família, com os amigos, companheiros ou colegas de trabalho", avisa a consultora em desenvolvimento humano e terapeuta holística Eliana Barbosa, de São Paulo. Sempre pronta para ajudar, a professora Ana Paula Guaraci, de 31 anos, é tida como o anjo da guarda do bairro paulistano onde mora. Auxilia crianças com deveres de casa, dá carona para quem precisa, acompanha vizinhos idosos a consultas médicas... Isso faz dela muito conhecida e querida. No entanto, ultimamente, ela não está muito feliz com isso. "Eu gosto de ajudar, mas detesto me sentir usada. E isso já me aconteceu duas vezes, ao emprestar dinheiro e não recebê-lo de volta no prazo combinado", lamenta. "Acho que muita gente não está acostumada com a bondade e acaba abusando. Tenho dificuldade em recusar um pedido, mas, sinceramente, cansei de abrir mão de algumas coisas em nome do próximo." Assim como Ana Paula, é comum encontrar pessoas que se sintam sufocadas diante das demandas alheias. A sensação é ainda pior quando não há uma troca (que seja um elogio, um gesto de carinho ou uma retribuição, quando necessária) e percebem que a própria vida está sendo negligenciada pela preocupação excessiva com os problemas alheios. A psicóloga cognitivo-comportamental Mara Lúcia Madureira, de Rio Preto (SP), destaca que as pessoas solícitas ao extremo talvez ajam assim por temerem críticas e reprovações. "O papel de bonzinho é uma estratégia inconsciente para aliviar sentimentos negativos, resultantes da crença pessoal de que são pessoas más, indignas ou incapazes", completa. Embora existam homens com tal perfil, esse tipo de comportamento é mais comum nas mulheres, por questões culturais. "Desde a infância, as mulheres são treinadas para serem certinhas, boazinhas, bonitinhas. Precisam agradar todo mundo. Isso fica tão arraigado no inconsciente feminino que, na vida adulta, cada não que as mulheres dizem vem carregado de uma inexplicável culpa", afirma Eliana. De modo geral, a origem desse comportamento vem da infância. "A criança aprende que, se não for boazinha, ninguém irá gostar dela e não irá para o céu. Os conceitos são assimilados como verdades incontestáveis, integrados ao medo e gravados na memória", diz Mara Lúcia. "Para evitar o temor de não ser amada ou de arder no inferno, a criança se comporta de acordo com as expectativas dos adultos, sendo, então, gratificada ou poupada de castigos",completa a psicóloga, que afirma que isso se reflete na vida adulta. Quem se coloca sempre disponível pode, inconscientemente, querer fugir dos próprios problemas, ao assumir os dos outros. "Mas acredito, também, que são pessoas carentes afetivamente, que ficam agradando os outros numa forma inconsciente de serem agradadas. Porém, o que recebem em troca, infelizmente, é a ingratidão, pois, geralmente, as pessoas não dão valor a quem não se valoriza", salienta Eliana. Equilibre-se (e diga não!) O segredo está em encontrar o equilíbrio. "Ser bom não é defeito. Porém, os bons também dizem não. Quem é bonzinho demais prejudica a si mesmo, pois muitas vezes acaba ajudando pessoas que não merecem ou que abusam", opina Silmar Coelho, doutor em psicologia e liderança pela Universidade Oral Roberts, em Tulsa (EUA). "Ainda assim, é melhor ser bom do que se fechar para as pessoas. Mas com equilíbrio", reitera. Para a psicóloga Luiza Ricotta, de São Paulo, a insatisfação nos relacionamentos ocorre se há um desnível entre um e outro; quando a pessoa dá mais do que recebe. "Sendo assim, o vínculo não é saudável e alguém se sente usado. As pessoas precisam ser felizes nos relacionamentos! Não há porque manter relações desniveladas", afirma a psicóloga. Vencer o medo de dizer não, de fato, é uma tarefa difícil -mas possível. Veja alguns passos para isso:

1. Compreenda que o medo foi instalado na infância, quando você não dispunha de condições para questionar a veracidade das ameaças. As ameaças eram meras estratégias de controle dos pais

2. Críticas não representam perigos reais. São apenas opiniões. Encare-as de uma maneira mais leve, sem se preocupar tanto

3. Todo mundo tem o direito de pedir o que quiser, entendendo que o outro tem o direito de decidir se o atende ou não. Portanto, você não tem obrigação de atender

4. Você tem o direito de dizer não sem sentir culpa

5. Não transforme a passividade em agressividade. O que lhe trará equilíbrio e respeito é a assertividade. Diga não, mas com elegância

6. Compreenda que ninguém ama, respeita ou admira pessoas boazinhas ao extremo. Ao contrário: as exploram, abusam e sentem pena !


Mariluci Carvalho de Souza

terça-feira, 5 de abril de 2011

O tamanho das pessoas





"Os tamanhos variam conforme o grau de envolvimento. Uma pessoa é enorme para você, quando fala do que leu e viveu, quando trata você com carinho e respeito, quando olha nos olhos e sorri destravado. É pequena para você quando só pensa em si mesma, quando se comporta de uma maneira pouco gentil, quando fracassa justamente no momento em que teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas: a amizade, o carinho, o respeito, o zelo e, até mesmo, o amor. Uma pessoa é gigante para você quando se interessa pela sua vida, quando busca alternativas para o seu crescimento, quando sonha junto com você. E pequena quando desvia do assunto. Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do outro, quando age não de acordo com o que esperam dela, mas de acordo com o que espera de si mesma. Uma pessoa é pequena quando se deixa reger por comportamentos clichês. Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento, pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas. Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande. Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo. É difícil conviver com esta elasticidade: as pessoas que se agigantam nas críticas e se encolhem quando estão diante dos olhos que sabem "seus segredos íntimos e suas atitudes covardes fruto de sua própria insegurança". Nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros, mas de ações e reações, de expectativas e frustrações. Uma pessoa é única ao estender a mão; e ao recolhê-la inesperadamente, se torna mais uma. O egoísmo unifica os insignificantes. Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande...é a sua sensibilidade, sem tamanho... E ainda dizem que "interferência" é atrapalhar o caminhar do próximo. Na maioria das vezes é despertar a "coragem e a capacidade" nos covardes e incompetentes. A esperança está na certeza que estes se rendem diante da própria imagem diante do espelho que se olham a cada dia mais infelizes."

William Shakespeare


Mariluci Carvalhode Souza

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Loucura!



Vento passando...

Tento pensando...

Acordo chorando...

Recordo amando...

Calo abafando...

Falo sussurrando...

Engulo resmungando...

Conto inventando...

Canto murmurando...

Sinto sem sentir...

Minto por mentir...

Delírios sem fim...

União do meu eu sem mim...

Meu Ego cindindo...

Pensamento partindo...

A razão desistindo...

Alucinações que estão vindo...

Procura findando...

Loucura se instalando...

Eu me entregando...

Ninguém notando...

Ninguém se importando...

E o meu Eu acabando...



Mariluci Carvalho de Souza